31 março 2010

O Forno, o Feminino e o João Tala

O "Forno..." resultado de uma inspiração que surgiu há 20 anos quando na província da Lunda Norte, o João Tala visittou o Museu do Dundo, onde se deparou com uma escultura em forma de mulher , denominada “Forno feminino”. A estatueta do "Forno feminino" esculpida em barro com contornos de uma mulher, cuja ventre se abria uma cavidade, que segundo a simbologia reprodutiva local, os caçadores acreditavam que a estátua dava sorte e ganhos aos nativos”. 

Eis a homenagem à mulher deste amigo das boas letras, elas merecem pois "O dia é feminino" e "O período feminino". É doce a canção para a mulher doce forno porque ela é para o Tala e o homem "Um semba..." que "...é uma história de mulher".

Para Amélia da Lomba, a mulher linda que apresentou o forno, "... o livro é uma homenagem à mulher em toda sua “dimensão” e ao seu “espírito de sacrifício”. É uma narrativa poética na qual a mulher é o centro da vida, sendo retratada em diferentes facetas como esposa, companheira, musa inspiradora, entre outras qualidades femininas. O “Forno feminino” é um volume constituído por várias poesias sem barreiras e fronteiras, onde os homens também podem se rever. Disse e muito bem, porque nota, ela "Liberta-me do esquecimento, mulher

Ela solta o corpo o texto animal
e frutos avultados.

Quando prontos os frutos
bebo-lhe noites o odor da manada.

A ela devo as coisas mais elementares:
o suspiro libertador
a primeira água e,

o evangelho deste corpo intacto e húmido;
a água acumulada no meu celibato
como o amor no último cuspo."


João Tala nasceu aos 19 de Dezembro de 1959 em Kamweya, província de Malanje, onde efectuou os seus estudos primários e parte do secundário, que concluiu em Luanda. Daí que o poeta não pode deixar de desenhar versos para a "Malanjina"

Vou de camuflado vou imune
visitar a manjina
vou com a ciência dos amantes
não posso esperar
esperas criam cicatrizes
e eu já estou ingurgitado

ela engoliu-me a infância
cabe ainda no cheiro
procuro-a na sombra ou na pedra
onde quer que haja um lugar de leite " 





É uma edição da editora Kilombelombe, da colecção "Os Nossos Poetas" n.º 24. Em conversa aprazível com o editor, homem de cultura e simples no trato, abordamos assuntos a ver com o mercado editorial. A Kilombelombe quer ver angolanos a lerem, Virgílio Coelho ressaltou essa necessidade de cada vez mais haver necessidade de se cultivar os bons hábitos de leitura. A colecção, que conta já com 24 obras, algumas no prelo, tem um rol de poetas talhados na caneta, a destacar as mulheres poetas como Amélia da Lomba com o "Espigas do Sahel", "Nirvana" de Isabel Ferreira e ainda "Na boca árida da Kyanda" de Chó do Guri. 



O Banco de Poupança e Crédito, patrocinadora da Kilombelombe, vai continuar com o compromisso de apoiar os projectos artísticos nacionais, com vista a desenvolver, cada vez mais a cultura nacional. Um exemplo no âmbito da responsabilidade social das empresas. Virgílio Coelho referiu que o BPC, apesar da função comercial, tem colaborado com as editoras e ajudado muitos escritores a lançarem e a promoverem livros.
 

Os amigos e familiares e companheiros de letras do autor acorreram ao hall do BPC. O momento cultural foi abrilhantado pelo músico das raízes, o jovem Wiza. 


Bibliografia de João Tala
Poesia
1. A forma dos desejos, 1997-UEA
2. O Gasto da Semente, 2000-A letra
3. A forma dos desejos II, 2003-Chá de Caxinde
4. Luagr assim, 2004-UEA
5. A vitória é uma ilusão de filósofos e de loucos, 2005-UEA
6. Forno Feminio, 2009-Kilombelombe
Prosa (ficção)
1. Os dias e os tumultos, 2004-UEA
2. Surreambulando. 2007-UEA



Nas fotos:
Mulher linda no lançamento; mulher poeta Amélia da Lomba e Nguimba Ngola; mais mulheres bonitas; João Tala, o poeta assinando autógrafos; Nguimba ngola e Virgílio Coelho, o editor; Virgílio Coelho, Jáo Tala e Paixão Júnior do BPC; o escritor António Pompílio, Rildo Manuel, jornalista e um amigo; Wiza, o músico e o escritor Kudijimbe. 

4 comentários:

lita duarte disse...

Caro escritor é um prazer enorme ler essa matéria. Parece que posso ouvir os sons das vozes... me alegro com as imagens.

Abraços.

Ricardo Riso disse...

Oi, Nguimba! Tudo bem?
ótimo que o João Tala tenha lançado um novo título de poesia. Sua escrita é uma das surpreendentes do atual panorama literário angolano, por isso gera imensa expectativa cada livro que brota do poeta.
A respeito da nova editora, o trabalho é fundamental e torço para que consigam levar a literatura e o hábito da escrita a um número maior de leitores jovens. Aliás, os títulos dessa coleção poderiam ser vendidos aqui no Rio de Janeiro, conheço uma livraria que seria o local ideal para receber esses livros, incluindo os seus também.
Grande abraço,
Ricardo Riso

jorge d. disse...

Nguimba, parabéns pelo blog.
Estarei sempre aqui.

Abraços

Silvana Nunes .'. disse...

Bom dia.
Nossa, que cantinho maravilhoso, vou olhar com mais calma.
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... deseja uma boa semana para você.
Saudações Educacionais !
em http://www.silnunesprof.blogspot.com