21 novembro 2010

Os artistas e a independência

35 anos de independência! Estamos deveras livres do "fardo" colonial. Muitas figuras destacaram-se nesse tempo sendo protagonistas políticos. O Semanário Angolense, edição 392, destacou várias personalidades dentre as quais, artistas que não ficaram de parte no processo. Na música os nomes de Urbano de Castro, Artur Nunes, David Zé sempre ficarão na memória e, Viteix nas artes plásticas. Repesco de lá duas figuras que marcam as letras angolanas, artistas da palavra, Manuel Rui e Wanhenga Xitu.



RUI MONTEIRO

MRM é um dos autores angolanos mais traduzidos no estrangeiro. Um feroz cultor das tertúlias intelectuais, causou furor quando, defendendo as posições do Governo, derrotou Sousa Jamba, um intelectual que perfilava a periferia da UNITA, num debate televisivo transmitido depois de Setembro de 1992, em Lisboa e em Luanda, para discutir as causas do conflito pós-eleitoral. Nenhum desses factos, porém, lhe haverá de conferir um lugar incontornável na nossa história recente. MRM será definitivamente recordado pela história por, em Julho de 1976, ter conduzido a acusação contra 13 mercenários britânicos e norte-americanos, aprisionados nos meses precedentes, enquanto participavam em acções de combate no interior de Angola. O julgamento foi o primeiro em todo o Mundo em que o mercenarismo, uma das mais antigas profissões do planeta, foi levado a tribunal, dando lugar à condenação dos seus agentes e a uma drástica mudança de atitude dos Estados face ao fenómeno. A opinião pública simpatizou tanto com o processo, ao ponto de um dos seus mais influentes representantes da época, o falecido jornalista australiano Wilfred Barchet, ter escrito logo a seguir um livro em que considerava os mercenários «prostitutas de guerra». Manuel Rui é colaborador do Semanário Angolense, em que publica as suas crónicas dedicadas às suas «primas».


MENDES DE CARVALHO

Pode gabar-se de ser o único angolano que já chegou a ministro da Saúde sem ser médico. Conseguiu isso como uma espécie de reconhecimento pelo importante papel que desempenhou na luta política contra o colonialismo português, que lhe custou amargos anos de cadeia. Fez parte do «Processo dos 50», um julgamento político que se tornou histórico por marcar uma fase decisiva da mobilização dos angolanos para a luta pela independência. Mas, é também como escritor de primeira água que se tornou notável, já na pele de Wanhenga Xitu. Livros como «Manana», «Mestre Tamoda», «Bola com Feitiço», «O ministro» e «Os discursos de Mestre Tamoda» são as suas principais credenciais neste sector, tendo tido o privilégio de a sua obra ser estudada em universidades estrangeiras. Já octogenário, fez-se notar como homem que buscava equilíbrios entre partes desavindas, sobretudo no seio do seu partido ou como um excelente defensor das gentes humildes deste país, com pronunciamentos incisivos no Parlamento. Ficou também famoso por ter o único que, no grande debate «onomatopaico» havido aí há uns anos, conseguiu provar a Mena Abrantes, sem recurso a grandes oratórias, que até os homens podem relinchar…
Fonte dos textos sobre os escritores: Semanário Angolense, edição 392.

4 comentários:

Anonimissima com razao disse...

Nguimba, parabens pelo seu blog. Acho excelente o trabalho k faz em prol da literatura.
Em relacao a este "post", sem fonte em refrencia, irei assumir ser de sua autoria dai a minha indignacao: O pork da omissao do 27 de Maio na vida destes senhores???? Eh k a história nao se faz com flores...
Continuacao de bom trabalho.

Nguimba Ngola disse...

Anonimissima, muito obrigado mesmo pela visita ao blog e as palavras lindas que me dirige.
Certamente falhei em não referenciar o post,acreditando que o leitor deduziria na minha introdução que a fonte é o Semanário Angolense, vou corrigir. quanto ao 27 de Maio ser excluido da vida desses homens é uma outra questão que só eles mesmos ou os que escrevem a respeito deles devem assumir... Desde já vale a observação.

Continue visitando o blog e e sinta-se livre em criticar e sugerir de modo a melhorar cada vezz mais.

Thanks

Anonimissima disse...

Nguimba queira desculpar, de facto nao tinha lido a introducao...

Nguimba Ngola disse...

Ok estimada Anonimissima. Volte sempre pois sinto-me honrado quando o fazes.